Oi, tudo bem?
Bizarro eu estar te escrevendo né?!
Ninguém mais escreve cartas mas eu meio que sou velha então eu meio que faço coisas antigas.
Como vão as coisas?
Eu não sei mais da sua vida. Você conta detalhes pra todo mundo ouvir mas eu me desconecto automaticamente quando você fala.
Não que eu não me interesse, mas você sabe, quando você namora, você só fala das suas namoradas.
Não que tenha problema nisso, na verdade até tem, mas a vida é sua e tals (eu só acho meio triste/obsessivo isso).
Só que não é do seu namoro que eu vim falar.
Outro dia, quinta-feira se não me engano, você foi embora e me deu tchau de longe.
Eu não to reclamando, apenas atestando um fato. Você está apenas reagindo ( como esperado) às minhas ações.
Mas sabe, aquilo me doeu bastante.
Não, esta carta não é um pedido desesperado de "por favor me abrace de novo". Deus me livre receber um abraço seu. Um abraço apertado, desses que preenchem e que fazem a gente perder um pouco a respiração e esquecer um pouco do mundo lá fora. Desses que dá vontade de não largar nunca mais e dar uma cafungada no cangote porque abraços bons combinam com cafungada. Deus me livre receber outro desses!
Mas é que tá sendo realmente muito difícil aceitar que eu não consigo mais conviver com você.
Eu queria muito que essa porra toda nunca tivesse acontecido, mas cara, ela aconteceu. Eu sei disso não porque eu me lembro, mas porque meu coração dispara e minha pele arde toda vez que você cruza meu caminho. Meu estômago entra em erupção e não há omeprazol capaz de acalmá-lo. Também rola uma dor de barriga,mas não vamos estragar a carta falando dessas coisas.
Eu não me lembro, mas cada pedacinho do meu corpo grita toda vez que você aparece. Ele grita coisas obscenas, coisas escrotas. Joga na cara tudo o que eu fiz.
"E quando tudo passar?" já me perguntaram. Vai passar né? Agora parece tão impossível. Hoje eu pedi a Deus que passasse. Não passou e eu chorei. É madrugada, amanhã começa uma nova semana, eu tenho que escrever um conto pra terça, e só consigo me preocupar com esse sentimento que não passa. "E quando passar?" Quando passar, passou. Passou o sentimento, passou a amizade, passou as chances de ganhar abraços que tiram a gente do chão. Passou as tardes na grama, as conversas na cantina, os twettes trocados,as mensagens no WhatsApp. Passou tudo.
E o que a gente faz? Até lá não fazemos nada e quando chegar lá também não.
"Eu sinto que estou te perdendo" foi uma das primeiras frases que você me disse depois que voltaram às aulas. Eu jurei que não, mas quem queremos enganar? A gente se perdeu no dia onze de outubro de dois mil e quinze. Assim mesmo, por extenso, porque por extenso sempre pesa mais. Porque a gente se perder é realmente muito pesado.
"Tão errado vocês separados"... Parecia mesmo que a gente ia ser pra vida toda. Eu queria muito isso, mas você tinha que ser fofo e eu tinha que ser carente. Você é tudo aquilo que eu nunca quis num homem mas seu abraço é bom e você fala coisas linda e caralho, você é realmente uma gracinha. E eu tava sozinha, sem um cara pra chamar de meu, há uma eternidade sem transar. Quem não cairia nessa estando na minha situação?
Agora são exatamente 2h18 e eu quero muito ir fazer xixi, informação que nada tem a ver com a carta, não fosse o fato de eu estar triste demais pra conseguir sair da cama. Triste demais por ter te perdida na porra de um dia de outubro. Num porre de vodka barata.
Triste demais até pra conseguir sofrer por isso.
São exatamente 2h21