domingo, 22 de maio de 2016

Carta


São exatamente 1h48.

Oi, tudo bem? 
Bizarro eu estar te escrevendo né?!
Ninguém mais escreve cartas mas eu meio que sou velha então eu meio que faço coisas antigas.
Como vão as coisas?
Eu não sei mais da sua vida. Você conta detalhes pra todo mundo ouvir mas eu me desconecto automaticamente quando você fala.
Não que eu não me interesse, mas você sabe, quando você namora, você só fala das suas namoradas.
Não que tenha problema nisso, na verdade até tem, mas a vida é sua e tals (eu só acho meio triste/obsessivo isso).
Só que não é do seu namoro que eu vim falar.
Outro dia, quinta-feira se não me engano, você foi embora e me deu tchau de longe.
Eu não to reclamando, apenas atestando um fato. Você está apenas reagindo ( como esperado) às minhas ações.
Mas sabe, aquilo me doeu bastante.
Não, esta carta não é um pedido desesperado de "por favor me abrace de novo". Deus me livre receber um abraço seu. Um abraço apertado, desses que preenchem e que fazem a gente perder um pouco a respiração e esquecer um pouco do mundo lá fora. Desses que dá vontade de não largar nunca mais e dar uma cafungada no cangote porque abraços bons combinam com cafungada. Deus me livre receber outro desses!
Mas é que tá sendo realmente muito difícil aceitar que eu não consigo mais conviver com você.
Eu queria muito que essa porra toda nunca tivesse acontecido, mas cara, ela aconteceu. Eu sei disso não porque eu me lembro, mas porque meu coração dispara e minha pele arde toda vez que você cruza meu caminho. Meu estômago entra em erupção e não há omeprazol capaz de acalmá-lo. Também rola uma dor de barriga,mas não vamos estragar a carta falando dessas coisas. 
Eu não me lembro, mas cada pedacinho do meu corpo grita toda vez que você aparece. Ele grita coisas obscenas, coisas escrotas. Joga na cara tudo o que eu fiz. 
"E quando tudo passar?" já me perguntaram. Vai passar né? Agora parece tão impossível. Hoje eu pedi a Deus que passasse. Não passou e eu chorei. É madrugada, amanhã começa uma nova semana, eu tenho que escrever um conto pra terça, e só consigo me preocupar com esse sentimento que não passa. "E quando passar?" Quando passar, passou. Passou o sentimento, passou a amizade, passou as chances de ganhar abraços que tiram a gente do chão. Passou as tardes na grama, as conversas na cantina, os twettes trocados,as mensagens no WhatsApp. Passou tudo.
E o que a gente faz? Até lá não fazemos nada e quando chegar lá também não. 
"Eu sinto que estou te perdendo" foi uma das primeiras frases que você me disse depois que voltaram às aulas. Eu jurei que não, mas quem queremos enganar? A gente se perdeu no dia onze de outubro de dois mil e quinze. Assim mesmo, por extenso, porque por extenso sempre pesa mais. Porque a gente se perder é realmente muito pesado. 
"Tão errado vocês separados"... Parecia mesmo que a gente ia ser pra vida toda. Eu queria muito isso, mas você tinha que ser fofo e eu tinha que ser carente. Você é tudo aquilo que eu nunca quis num homem mas seu abraço é bom e você fala coisas linda e caralho, você é realmente uma gracinha. E eu tava sozinha, sem um cara pra chamar de meu, há uma eternidade sem transar. Quem não cairia nessa estando na minha situação? 
Agora são exatamente 2h18 e eu quero muito ir fazer xixi, informação que nada tem a ver com a carta, não fosse o fato de eu estar triste demais pra conseguir sair da cama. Triste demais por ter te perdida na porra de um dia de outubro. Num porre de vodka barata. 
Triste demais até pra conseguir sofrer por isso.

São exatamente 2h21





domingo, 15 de maio de 2016

Sobre sofrer por seus abraços

Essa noite eu sonhei com você.
No sonho, você estava se despedindo de todo mundo, como faz todo dia.
Abraçando apertado as pessoas, como faz todo dia.
E chegava sem graça em mim, como anda acontecendo todos os dias.
Eu sempre, na vida real, faço questão de te dar um abraço fraco,
quase um  não-abraço, quase não fazendo nada.
E no sonho eu já ia fazendo a mesma coisa.
Eu não sei como você se sente quando eu faço isso,
mas pra que fique registrado, eu sofro muito.
Eu sofro não só por não te abraçar apertado,
mas por ter feito essa bagunça toda em sua vida
(acho que vou repetir isso pra sempre).
E voltando ao sonho,
eu pronta pra te dar o meu não-abraço,
desisto dessa porra toda e de abraço apertado.
Te grudo em mim como eu sempre fiz
e como eu sempre quero fazer.
Seu abraço é o melhor.
Eu amo seu abraço,
é uma quase dependência.
Cara, como eu sentia falta desse abraço.
Te apertei e disse um "não solta" como o último suspiro de um desesperado.
Você me apertou de volta, meio sem saber o porquê de tudo isso.
Eu não me importei com nada.
Eu só queria te abraçar.
Ouvi alguns "solta" no fundo, mas eu não queria soltar.
Não sei quanto tempo fiquei te abraçando,
sei que foi um tempo maravilhoso.
Eu queria te abraçar assim de novo,
acontece que, diferente do sonho,
onde te abraçar foi a melhor sensação da vida,
pessoalmente minha pele queima e meu coração se desfaz.

sexta-feira, 13 de maio de 2016

Sobre você se tocar

Eu não sei se já te contei isso, mas te avisto de longe.
E, claro, hoje eu te vi.
Vi quando você olhou na direção em que eu estava e desistiu de chegar até lá.
Ontem você saiu do grupo da faculdade.
Ontem, não sei em qual momento, você percebeu que eu estou me afastando de você.
Talvez não tenha percebido ontem, mas talvez tenha chegado ao seu limite.
Eu te entendo perfeitamente.
Faria a mesma coisa (e teria feito muito antes de você).
Eu não te olhava mais, eu ria das suas piadas, eu mudava quando você chegava.
Até nossos amigos perceberam... eles te perguntaram algo?
A mim não, graças a Deus.
O que eu ia dizer?
Sim, existe algo, aliás não existe mais e é esse o problema.
Existia uma amizade e eu resolve (por nós dois) que ela deixou de existir.
Mas que fique claro: eu ainda te amo!
Eu ainda sinto vontade de te abraçar apertado e saber da sua vida.
Eu queria ser capaz de ser feliz pela sua felicidade.
Mas seu toque me queima a pele.
Sua presença me queima o estômago.
Sua voz me tira o sono (ou me traz inúmeros pesadelos).
Eu tentei, juro que tentei!
Mas eu morria por dentro cada vez que te via.
Aquele maldito misto de te quero perto, te quero longe.
Não te ter na minha vida acaba comigo.
Te ter nela me matava aos poucos.
No fundo, no fundo, eu vou sempre te amar.
E sempre estar pronta pra te ajudar.
Mas hoje, nesse exato momento, eu quero mesmo é que você suma.